Friday, August 28, 2015

Ele está de Volta, por Timur Vermes



Sinopse
Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo.
As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.
Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.



   Brilhante. Eu poderia dizer que o enredo desta história é simplesmente brilhante. Transbordando criatividade até nos mínimos detalhes, "Ele está de volta" traz um Hitler praticamente autêntico para os dias de hoje em pleno ano de 2011. O confronto de gerações, com os traços ávidos da personalidade deste grande ator da história da humanidade é palco para um humor ácido e curioso. 
     Nunca havia ouvido falar desta obra de Timur Vermes, contudo, no mesmo instante em que li a sinopse, não me contive em comprar este livro. Se há um fator que me chama a atenção de cara em um livro é a criatividade. Independente da categoria ou gênero do escritor, a criatividade tem a capacidade de me conquistar em poucas linhas na sinopse, e creio que este seja o caso de vários outros leitores.
     Adolf Hitler amanhece em um terreno baldio, bem vivo, na Berlim de 2011. Ele não se recorda de nada que explicasse sua presença naquele local. As ruas são estranhas, mulheres se abaixam para recolher as fezes de seus cachorros,estrangeiras, devem ser! Os carros são extremamente estranhos, as pessoas, com pressa. Os jovens, usam aparelhos que tapam os ouvidos, devem ser os turcos. 
     Com a ajuda de um jornaleiro, Hitler tem acesso à uma emissora de TV. Todos acreditam que ele seja um belo artista, bem treinado, com discursos prontos, imitador profissional do ex ditador da história de seu país. Ele é contratado de imediato pela autenticidade de aparência e argumentos. Já em maior contato com a mídia, Adolf descobre como o homem evoluiu em muitos pontos inclusive na tecnologia, e saiu perdendo em outros. A televisão está presente em todos os lares, e é o símbolo do poder de disseminação da propaganda. Os datilógrafos foram substituídos pelos teclados que instantaneamente transmitem as letras ao computador. Os celulares, por mais multifuncionais que sejam, são uma perdição. Com muitas tarefas acopladas a um único aparelho, telefone, agenda, alarme, gravador, câmera, muitas atividades são agora atreladas a este. A vida está atrelada ao celular. 
    Nessa linha de pensamento, a maior crítica do livro gira em torno do poder da mídia e seu impacto na vida dos cidadãos. Hitler é conhecido por ter subido ao poder em meio a uma Alemanha que se encontrava aos pedaços, e com seus discursos extremamente persuasivos, convenceu milhares de pessoas acerca de sua opinião contra os judeus, estrangeiros e outras minorias. Dizimou milhões, e gerou uma ferida irreparável na história alemã. Mesmo assim, retornando 65 anos depois do ano de sua morte, ao engajar-se na mídia atual, usou-se do fato de que a propaganda está continuamente presente na vida das pessoas e criou programas de televisão, semanários, livros. A Alemanha nunca se esquecerá da ferida que este ditador lhe deixou. Mas nem tudo foi ruim, te diz a mídia. A nação ariana ainda tem muito a crescer, te diz Adolf Hitler. E em breve uma nova Alemanha reconquistada cresce.
     O brilhantismo do assunto abordado nessa obra não impede, contudo, que a leitura se torne um pouco cansativa. O autor poderia ter utilizado um maior dinamismo na escrita, principalmente em pensamentos hitlerísticos, que acabam por se tornar um pouco enfadonhos. Indico o livro ao público amante da história nazista e da Segunda Guerra Mundial. 

Trechos: "Assim, podemos afirmar que hoje os leitores também só consideram sofisticado o que é praticamente ininteligível para eles, e deduzem o essencial por meio de suposições a partir do tom reconhecidamente positivo."




Depressão pós-livro: 85%
Avaliação Final: 80%

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